01 JUN 2026
Turismo além da ponte. A Capital atrai, a região encanta.
Floripa continua sendo a marca forte. Mas a Grande Florianópolis precisa ser apresentada como o produto completo. A Capital segue como a principal vitrine turística de Santa Catarina, porém a experiência do visitante já não cabe mais apenas na Ilha. Depois de um fim de semana em que dois grandes eventos expuseram novamente os limites da mobilidade urbana e da organização de grandes públicos, ganha ainda mais sentido a estratégia de vender a região como destino integrado, reunindo os 22 municípios em uma narrativa de natureza, cultura, gastronomia, tradição e tranquilidade.
O Ironman Brasil e a festa de encerramento das comemorações dos 100 anos da Ponte Hercílio Luz, que acabou suspensa por medida de segurança, mostraram mais uma vez como Florianópolis vive o desafio de conciliar grandes eventos, circulação de pessoas, deslocamentos e qualidade da experiência turística. Os eventos são importantes, movimentam a economia e projetam a cidade. Mas os transtornos também deixam evidente que a promessa de tranquilidade já não pode depender apenas da Capital.
Essa Floripa mudou. Cresceu, verticalizou, sofisticou sua gastronomia, ampliou sua rede de serviços, passou a receber grandes eventos e ganhou contornos de metrópole. O problema não está nessa transformação. Está em continuar vendendo a cidade como se ela ainda fosse aquele destino calmo, quase provinciano, onde o turista vinha apenas para descansar diante do mar.
O turismo além da ponte não diminui Florianópolis. Ao contrário, fortalece a Capital como porta de entrada de um território muito mais amplo. O turista pode chegar pela Ilha, mas precisa ser convidado a descobrir a região. Porque, se Floripa continua sendo o nome que atrai, é a Grande Florianópolis que pode entregar a experiência completa.
É neste cenário que a estratégia do Destino Floripa & Região merece atenção. Em parceria com a Secretaria de Turismo, Desenvolvimento Econômico e Inovação de Florianópolis, a entidade levou o “Florianópolis Day” a cidades do interior paulista. A ação buscou recuperar um público estratégico: o turista paulista de maior renda, que consome boa hotelaria, gastronomia qualificada, compras e experiências diferenciadas.
Os números explicam a preocupação. Segundo o Núcleo de Inteligência Estratégica da Fecomércio, os paulistas representaram, nas temporadas de 2025 e 2026, média de 5,35% dos visitantes em Santa Catarina. Entre 2020 e 2024, essa participação era de 10,46%. A queda foi sentida especialmente na Capital e na rede hoteleira.
Mas recuperar esse turista exige mais do que promover Florianópolis. Exige vender uma experiência regional completa. A Grande Florianópolis reúne praias preservadas, turismo religioso, gastronomia rural, cultura açoriana, alemã, italiana, trilhas, cachoeiras, pesca artesanal, centros históricos, cicloturismo, comunidades tradicionais e paisagens que ainda aparecem pouco nas vitrines nacionais.
Esse movimento também dialoga com o trabalho da Associação dos Municípios da Região da Grande Florianópolis, a Granfpolis, entidade que congrega os 22 municípios. Em parceria com o Sebrae, a Associação desenvolve o Plano Regional de Turismo, com o objetivo de mapear atrativos, organizar informações, divulgar potencialidades e profissionalizar o setor. A proposta é transformar vocações locais em produtos turísticos estruturados, capazes de integrar roteiros e fortalecer a economia dos municípios.
*Imagem de IA

